quarta-feira, 22 de julho de 2009

Concordo com a ministra Dilma Rousseff: os americanos não são burros

Wladmir Coelho
Mestre em Direito e Historiador

A ministra Dilma Rousseff declarou em Washington: “os americanos seriam burros em não ter interesse no petróleo brasileiro”. Até aqui nenhuma novidade, pois os nossos “irmãos do norte” desde o início do século XX revelam sua “inteligência” e conseqüente interesse em nosso ouro negro através de variados métodos dos quais selecionei os seguintes: O controle de imensas áreas com potencial produtivo, através da Standard Oil, impedindo a exploração petrolífera; apresentação de relatórios pseudo-científicos “provando” a inexistência de petróleo em território nacional; perseguição aos empresários pioneiros fato simbolizado nas tentativas de Monteiro Lobato em criar empresas petrolíferas privadas brasileiras, campanha difamatória contra os defensores do monopólio do petróleo dentre outros sinais inequívocos de sabedoria.
Acrescento ao pacote de astúcias de nossos irmãos o controle ideológico exercido através do monopólio da informação cujo símbolo maior foi o Repórter Esso hoje superado na forma, mas atual no conteúdo marcadamente entreguista.
Neste aspecto, o ideológico, o governo brasileiro através do ministro Lobão também apresenta-se plenamente identificado com os interesses dos oligopólios internacionais – muitos deles sediados nos EUA e outros crescendo na China – e continua encenando a farsa para o enfraquecimento da Petrobras através da criação de uma estatal que distribuiria os blocos do pré-sal aos inteligentes de sempre.
A última encenação do governo acrescenta a trama novos elementos para confundir a população que não aceitou muito bem um aprofundamento da política neoliberal de sacrifício da Petrobras obrigando a ministra Dilma – através de um elaborado exercício de contorcionismo mediático – explicar a criação da “petrosal” como forma do país manter o controle de seu petróleo cuja exploração poderia até ser entregue exclusivamente a Petrobras.
As suspeitas da população brasileira quanto às intenções entreguistas do governo continuaram do mesmo tamanho e muitos questionam: Qual a necessidade de criar uma empresa para repassar a Petrobras suas atividades naturais?
A resposta está no texto da lei 11909 (lei do gás) de 4 de março deste ano cujo teor revelou a face neoliberal do governo e serve para anunciar o que vem por ai em termos de petróleo apesar dos discursos pseudo-nacionalistas. Existisse no governo um real interesse em defender o petróleo brasileiro e utilizar o seu poder econômico para alcançar o nosso desenvolvimento a ministra Dilma e o Lobão estariam citando o inciso III do artigo 170 e o artigo 173 da Constituição para justificar a estatização da Petrobras, mas a ideologia liberal, no governo, parece ter preferência diante da ideologia da constituição.
Apenas para apoiar as declarações da ministra Dilma encerro este texto lembrando que os Estados Unidos do nosso amigo Obama também revelam sua não burrice ampliando o seu interesse por todo o petróleo da América do Sul mantendo em funcionamento a IV frota, instalando cinco novas bases militares na Colômbia, derrubando presidentes que criam obstáculos as bases militares antigas e ilegais.-- Wladmir Coelho

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Pedro Porfírio
Cearense, 65 anos, Pedro Porfírio chegou ao Rio sozinho, aos 16 anos, indo ocupar o cargo de secretário da União Brasileira dos Estudantes Secundários. Aos 17, fez-se jornalista e teve sua carteira profissional assinada como repórter da ÚLTIMA HORA do Rio de Janeiro. Aos 18, já era o editor da RÁDIO HAVANA, em Cuba. Aos 20, de volta ao Brasil, dirigia o semanário das Ligas Camponesas. Passou pelo CORREIO DA MANHÃ, TV TUPI e, aos 26 anos, era Chefe de Redação da TRIBUNA DA IMPRENSA. Preso e torturado em 1969, depois do AI-5, permaneceu encarcerado um ano e meio. Em liberdade, enfrentou uma cruel discriminação. Tornou-se teatrólogo, com 8 peças encenadas e ganhou o Troféu Mambembe, por sua obra O BOM BURGUÊS. Seu último texto encenado, em 1982, foi BRASIL, MAME-O OU DEIXE-O. Com a redemocratização, assumiu postos no governo do Rio de Janeiro e exerce agora seu quarto mandato como vereador.
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